domingo, 24 de novembro de 2013

Mini adultos com #looksdodia

Mães enlouquecidas por moda depositam esse amor em seus filhos e os vestem como adultos
A moda hoje em dia é estar na moda, saber um pouco de tudo e de tudo um pouco. E esse mundo de roupas, acessórios e sapatos pertence às mulheres e tem crescido em grande escola em uma parcela dos homens. Meninas, moças e senhoras estão sempre em busca do atual, ou do “in”. Mas as mães também se incluem nesse grupo e, na maioria das vezes, depositam esse amor à moda em seus filhos.


Cada vez mais as tendências tomam conta do mundo feminino. O que antes era intenso, hoje em dia virou profissão, estilo de vida, forma de pensar e modo de agir. A moda cresceu muito no Brasil nos últimos tempos e começou a dominar espaços. Um bom exemplo são as bloggeiras, que chegaram de mancinho criando seu “mundinho”, e agora são ícones de influência, dando dicas, indicando “looks” e ganhando centenas de “seguidores” desta febre. As mídias sociais ajudaram nesse crescimento, pois criaram um Era de mulheres que se baseiam no “look do dia” para sair de casa. Além dos blogs, o Instagram pode ser denominado novo consultor de moda, vendedor de roupas ou até estilista. Grandes nomes da moda estão sendo criados por meio dessa mídia.

Enquanto essa influência estava somente com as mulheres, tudo ainda estava sobre controle, porém o vício de estar na moda alcançou mães enlouquecidas por “mini looks”. O objetivo está sendo deixar as crianças na moda. Quem está brincando de boneca não são mais os pequenos, pois estes, agora, precisam ficar ligados no que está em alta.
As mulheres não estão se contentando em se vestir bem, combinando os sapatos com a bolsa e as unhas com o batom. Elas estão fazendo dos seus filhos, miniaturas de homens e mulheres. E as crianças, que pouco se importam com o que estão usando, viram reféns do vicio de “arrasar no visual”. A dona da loja Bad Kid de calçados infantis, Anna Cecília Fonseca, fala um pouco da sua opinião sobre esse assunto e garante que criança deve ser criança.


Revisa Mania de Moda: Você acredita que as mães muitas vezes podem transferir o amor pela moda aos filhos?
Anna: Acredito que se a mãe for muito fashion vai querer que a filha tenha o mesmo estilo. Em contra partida se a mulher for uma mães mais simples, não vai querer que uma criança seja refém da moda. Quando meus filhos eram pequenos sempre quis vesti-los como crianças e não como adultos. Por exemplo, hoje em dia a moda é que o sapato da filha seja igual ao da mãe para que elas se vistam iguais, ou seja, o mesmo produto para mães e para filha. Eu entendo isso mais como uma brincadeira, mas não que isso vire uma regra. A marca infantil Pampilli dá essa opção, que se chama “Mamusca”.
Revista MM: O que você acha sobre crianças fashions?
Anna: O meu ponto de vista é que criança deve ser criança. Para mim, uma menina fashion está brincando de ser adulta, como toda e qualquer criança dessa idade que quer imitar a mãe.
Revista MM: No que você se baseia para escolher os sapatos que vai vender?
Anna: Eu me baseio nas tendências da moda em geral, nas tendências dos adultos, no meu gosto e no quanto a moda pode atingir o público infantil. As meninas, geralmente, gostam de muito brilho, pois geralmente querem ser “mocinhas” e parecer com as mães ou irmãs mais velhas. Os meninos vão mais para o lado de personagens e ícones do futebol, porém também têm seus produtos sofisticados que copiam a moda masculina adulta.
Revista MM: Muitos homens interferem e opinam na hora da compra?
Anna: Quase nunca. Quando interferem, geralmente é para os filhos homens, pois querem influencia-los com o futebol. Mas geralmente as mães querem seus filhos homens como “mini rapazes” e preferem sapatos mais sofisticados como os sapa-tenis.
Revista MM: Você, como mãe, pensa no que as outras mães vão querer usar nos filhos? Acha que isso te influencia na compra?
Anna: 50% sim e 50% não. No meu primeiro olhar eu enxergo o que eu acho que eu compraria para meus filhos, se eles fossem pequenos. Segundo eu tento imaginar o que uma criança gostaria de vestir, mesmo que isso vá contra o meu gosto, pois tenho que comprar o que vende. E em terceiro eu me influencia pela tendência, no que vai estar em alta.
Revista MM: Você acredita que as crianças tem poder de escolha na hora da compra?
Anna: Posso dizer que 80% das vezes sim. As crianças chegam na loja encantadas e decididas. As meninas, principalmente, se apaixonam pelos brilhos e saltos e não há nada que as façam mudar a escolha. Porém, as mães fazem muito um jogo de troca do tipo “Eu levo o que você quer só se você experimentar o que eu quero”.
Revista MM: Você acha que algumas mães podem passar dos limites com as filhas a ponto de vesti-las como bonecas?
Anna: Eu vejo muito o quanto essas mães tem essa tendência de trocarem de papel com as filhas e brincar de boneca. Apesar de, cada vez mais, as crianças terem opinião própria, as mães competem muito entre si, e enfeitam cada vez mais seus filhos, pois acreditam que “mini adultos” são mais “fofos” do que crianças vestidas de criança.
Revista MM: Até que ponto você acredita que a moda deve influenciar na vida de uma criança?
Anna: Na verdade eu acho que não deve influenciar em nada. Como eu disse anteriormente, a minha opinião é que criança deve ser criança. A minha loja é colorida e atrativa para meninos e meninas e não para mini adultos. A criança tem que brincar, se sujar, correr e até andar descalço. Estou nesse ramo por que amo os pequenos e é claro que acho lindo os pezinhos bem vestidos, mas não acho que isso deva virar uma obrigação ou influencia na vida deles.
Revista MM: A moda infantil está cada vez mais em alta. Você acha que esse ramo pode crescer e se tornar uma febre, como no mundo adulto?]
Anna: Eu acho que ela pode crescer um pouco mais. Por exemplo, outro dia eu li algo sobre lojas infantis para meninas e para meninos separadas, assim como para os adultos. Na verdade, esse ramo já cresceu muito, porém a questão é que a criança cresce muito rápido, e, em consequência, perde os produtos muito rápido. Diferente de nós, que podemos guardar a roupa ou o sapato do inverno passado para usarmos nesse ano. É um mercado que não é barato. Mas acredito que ainda tem seu espaço para crescer e se desenvolver ainda mais.
Revista MM: Você acha que o fato de as mães influenciarem tanto seus filhos e se vestirem como adultos pode ser um razão pela qual as crianças estão mais avançadas?
Anna: Acho que sim. As mães querem vê-los vestidos como adultos, mas não querem que eles cresçam. Porém, a criança se vê usando a mesma coisa que seus pais, e pode achar que tem o mesmo poder que eles. Para mim faz todo o sentido, por isso bato tanto na tecla de que a criança deve brincar e se divertir, sem se preocupar com o que está usando. Quando nós, mulheres, crescemos nos preocupamos muito em não repetir roupa ou estar na moda ou ainda estar sempre chique. Por que vamos adiantar essa preocupação neles se nem nós conseguimos dar conta as vezes? Tudo tem seu tempo.
Revista MM: Você possui lojas em diferentes bairros do Rio? Acha que isso influencia no modo como as mães vestem as crianças?
Anna: Tenho lojas da Barra da Tijuca, Zona Sul e Recreio dos Bandeirantes. Posso afirmar que as mães da Barra são as que mais apresentam esse amor por deixar os filhos na moda. Claro que não é uma regra, mas a maior parte está neste bairro. Elas têm prazer em ver seus filhos vestidos como adultos. Além disso, funciona muito a ideia comprar sapatos iguais para as duas, pois muitas mães já procuram isso nas minhas lojas, porém, como só investimos em crianças, não vendo sapatos ou sandálias para adultas. Eu, particularmente, quando vejo um desses mini adultos fico apaixonada, mas não acho que isso acrescenta muito na vida da criança.

Os hipsters – jovens e adultos que gostam de lançar novas modas – estão tomando conta do mundo da moda. Porém os minihipsters vem tomando conta. Além das mães quererem vestir seus filhos, já existem crianças que lançam sua própria moda sem a ajuda dos pais. É o caso de Alonso Mateo, menino de 5 anos que já possui 5 mil seguidores no Instagram e posta seu “look do dia” que recebe mais de mil curtidas. Apesar de sua mãe ser estilista ela garante que a criança é responsável por compor todos os looks. Alonso deu entrevista ao The Cut, da New York Madazine dizendo que ama roupas, tênis e óculos de sol e que ama se vestir como o pai. Ele é só um exemplo de um mundo que está crescendo e promete tomar conta do que é chamado de estilo e moda.

Essa história de “tal mãe tal filha” está realmente fazendo sucesso. Como Anna Cecília citou muitas lojas e marcas estão desenvolvendo roupas exatamente iguais em tamanhos para criança e adulto. Essa é uma forma de fazer com que a criança fique com o mesmo estilo da mãe. E não é só com as filhas mulheres que isso funciona, pois muitas vezes as roupas não precisam ser exatamente iguais, mas ter estampas idênticas como, por exemplo, a mãe usar um vestido com o mesmo desenho da bermuda do filho. Algumas famosas e celebridades estão aderindo a essa nova concepção de como se vestir junto com seus filhos. Muitas pessoas acreditam que essa é uma forma de aproximação familiar e mostrar a cumplicidade que existe entre as duas ou os dois. 



Além dos looks “mãe e filha” iguais, existem mulheres que optam por vestir os irmãos ou irmãs com a mesma roupa, mesmo quando as idades são diferentes. Ou seja, a ideia de que só os gêmeos podem se vestir igual já está ultrapassada. Muitas vezes a diferença de idade é grande ou o sexo é diferente, mas existem peças iguais ou estampas com o mesmo desenho etc. O que importa é deixar tudo combinando, pois o que está “em baixa” é cada um vestir o que quer.

Assim como as bloggeiras e suas dicas de moda fazem sucesso, as mães/estilistas também criam seu espaço da mídia e dão dicas, postam looks e compartilham opiniões de modelitos para as crianças. Além disso, existem blogs que simplesmente dão dicas de como ser mãe, de temas de festas etc, porém tem uma área reservada para a moda com “looks do dia” etc.
Além da moda com roupas e sapatos, as mães seguem a risca a profissão consultora de moda dos filhos, e fazem as meninas realizarem o sonho de ser adulta, cortando os cabelos e fazendo as unhas. Segundo o blog Meu Dia de Mãe, em Recife existe um salão de beleza chamado Velvet que oferece um espaço reservado para as mini madames. A maioria das crianças tem medo de cabeleireiro, talvez por conta da tesoura ou por achar que cortar o cabelo dói. Porém o salão Velvet possui uma decoração especial que faz elas se sentirem como verdadeiras princesas.

Os lavatórios do salão têm o tamanho ideal para que elas fiquem sentadas e possam lavar os cabelos. Eles oferecem desenhos para as crianças colorirem e se divertirem enquanto cortam o cabelo. Além disso, possui manicures e esmaltes especiais para criança, fazendo com que elas tenham um dia de beleza em grande estilo. Os roupões são de seda, com um design especial do salão e com tamanho ideal para as pequenas. Além de poder desenhar, elas podem brincar de massinha, Barbie e muitas outras opções que as fazem se sentir em casa.

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